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O bug do milênio

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Cláudio e Estela se conheceram no bandejão da faculdade de Ciências Sociais.  Logo no primeiro encontro, quando estavam à mesa comendo a gororoba servida pelo aparato universitário a preços módicos, iniciaram interessante colóquio sobre o livro que é febre dentre os esquerdinhas da faculdade, "O Capital no século XXI", do descoladíssimo francês Thomas Piketty. O rumo da conversa ia bem, com a temperatura subindo com os debates acalorados. Mas ambos, temendo que a coisa se aprofundasse demais, ultrapassando a grossura da epiderme, cuidaram em arranjar um pretexto para encerrar ali mesmo a conversinha fiada. O motivo aparente foi a vontade de comer uma sobremesa. O motivo real foi outro, e era este: nenhum dos dois tinha passado da décima página do livrão grosso tão vendido, mas pouco lido pelo beautiful people acadêmico. Enfim, como não havia sobremesa e a temperatura ainda estava alta, cabia-lhes apagar o fogo. E o fizeram no muquifo mais próximo, onde a conta foi rachada e

O MECANISMO

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Está disponível na Netflix o seriado "O Mecanismo", baseado na Operação Lava Jato e nos acontecimentos políticos do Brasil nos últimos anos. O petismo está em alvoroço, pois na série estão representadas as principais figuras do partido, Lula e Dilma. Mas não só eles. Temer e Aécio Neves também estão lá no papel de vilões. Nenhuma novidade, já que a classe política sempre foi vista pelo povo nesta condição mesmo. O que é novidade é o surgimento de outro vilão: o Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do país. Num determinado episódio, os presos pela Polícia Federal comemoram o fato de que seus processos serão julgados pelo STF como se tivessem plena certeza de que seriam libertados. "Foi pro Supremo!", grita um homem que seria a representação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. A cena é burlesca. O drama encenado é um escárnio, e a direção do seriado certamente retratou nada mais que a imagem que o STF tem perante a sociedade: a

STF AVANÇA PARA LIBERAR O ABORTO

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O Brasil inteiro está na expectativa do julgamento do habeas corpus de Lula no STF, algo que pode ter consequência desastrosas para a estabilidade institucional do país. O STF, cuja imagem encontra-se manchada junto ao cidadão comum, está na berlinda. Dependendo de como decidir, pode desencadear uma onda de protestos e revolta que pode piorar ainda mais sua fama de tribunal que protege os poderosos. Mas ao mesmo tempo em que se prepara para decidir sobre o destino de Lula, este mesmo STF avança com outra agenda igualmente nociva: o aborto. A ministra Rosa Weber, cujo voto é aguardado com expectativa no julgamento do dia 4 de abril, convocou uma audiência pública  para discutir a liberação do aborto até a 12ª semana de gravidez. Essa discussão está sendo travada no STF graças à ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) nº. 442 , ajuizada pelo PSOL, que pretende afastar a aplicação dos artigos 124 e 126 [1] do Código Penal, que punem o aborto. Segundo o PSOL, tai

Arthur Dutra no Xeque-Mate

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Participação de Arthur Dutra, presidente do Livres RN, no tradicional programa Xeque-Mate, da TVU, com alunos dos cursos de jornalismos e radialismo da UFRN.

ROMPENDO VELHOS PARADIGMAS

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Disrupção. Esta é a palavra do momento num mundo cada vez mais dinâmico, onde as coisas mudam na velocidade do toque no visor de um smartphone. Mas nem sempre essas mudanças têm sido bem recebidas num primeiro momento, algo que é natural e compreensível, justamente porque muitas dessas inovações abalam paradigmas há muito sedimentados no cotidiano e, mais ainda, acertam em cheio certas reservas de mercado e privilégios cristalizados pelo imobilismo. Barreiras são erguidas para deter os avanços dessa onda disruptiva, só que por mais tenaz que seja a reação, a velocidade e força com que ela chega a faz prevalecer mais cedo ou mais tarde. Vejam o caso do UBER. Ele chegou, teve uma desconfiança inicial do usuário, recebeu o voto de confiança e agradou. E agradou tanto que se estabeleceu como realidade antes mesmo que o Estado, visando proteger a reserva de mercado dos táxis, pudesse tomar medidas efetivas para inviabilizá-lo. Por isso que quando o Congresso tentou impor regulamentação ao

COMO O ESTADO PRETENDE MATAR – MAIS UMA VEZ – A LIBERDADE

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O livre mercado está, mais uma vez, na mira do Estado brasileiro. Desta vez é o Senado Federal que pretende votar nesta semana o PLC 28/2017, que altera dispositivos da lei 12.587/2012, que versa sobre a Política Nacional de Mobilidade Urbana. O PLC 28/2017 pretende incluir os aplicativos de transporte individual de passageiros dentre os serviços regulamentados pelos Municípios brasileiros. Na prática, o que pretende o  Senado é transformar aplicativos como UBER, 99 e Cabify em táxis, submetidos à autorização estatal para funcionarem, acabando, assim, com a viabilidade do serviço que já tem ampla aprovação dos usuários. MÁS INTENÇÕES REVELADAS A intenção de inviabilizar o UBER e demais aplicativos é tão grande que o próprio projeto de lei apresentado originalmente na Câmara dos Deputados pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) foi redigido pelo Sindicato dos Taxistas de São Paulo (SINDTAXI-SP). A desculpa de que o projeto visa apenas “regulamentar” não se sustenta, pois está c

A LIÇÃO QUE VEM DA ARGENTINA

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Desde a eleição de Maurício Macri, a Argentina vem depurando a sua vida política e econômica dos vícios do esquerdismo bolivariano, representado nas terras hermanas pelo grupo de Cristina Kirchner. Ao assumir o poder em dezembro de 2015, Macri começou a desmontar toda a estrutura carcomida deixada como herança pela ex-presidente, que legou ao país pobreza, corrupção, inflação e populismo, além de um déficit nas contas públicas de 7% do PIB. Economia fechada, emissão desenfreada de moeda, controle estatal dos preços e falta de transparência com os números da inflação trouxeram a Argentina para os piores níveis sociais, com 30% da população amargando a pobreza. Diante deste cenário aterrador, o novo presidente teve que administrar remédios amargos, pois não se cura uma doença deste tamanho com anestésicos. REMÉDIO AMARGO QUE CURA Em pouco tempo de medidas duras e austeras, a Argentina começou a respirar. Corte de subsídios, fim dos congelamentos dos preços represados artificialm